Integrar a Mãe Divina — Tomar a Mãe
- Fernanda Freires

- há 5 horas
- 3 min de leitura
Existe um momento na vida em que a gente para de procurar a mãe só fora…e começa a sentir a mãe dentro.
Sentir a mãe divina dentro de nós é como encontrar um colo que sempre existiu, mas que por muito tempo não soubemos acessar. É agradecer a mãe física — com toda a sua história, limites, dores, escolhas e humanidade. E também agradecer essa força maior, esse princípio materno que vive dentro de cada uma de nós.
Por muito tempo, eu não entendi a minha história de vida. Eu me sentia uma bagunça. Um caos. Minhas perguntas eram sempre as mesmas: “Por que eu me sinto tão diferente da minha família?”
E eu sei que muitas pessoas carregam essa sensação. Na infância. Na adolescência. Às vezes, a vida inteira.
Talvez a nova geração consiga acessar mais cedo o que nós, millennials, estamos abrindo agora: o caminho do autoconhecimento, da liberdade emocional, da permissão de ser quem se é.
Eu olhava para meus pais, para minha irmã… e não me reconhecia em nenhum deles.
O que para muitos parecia uma família perfeita, para mim virou uma realidade dura quando eu tinha cerca de 15 anos —quando, dentro de mim, nasceu a sensação de: “Eu não sou daqui.”
E o que se faz com isso? Com essa sensação de não pertencimento? Com essa dor silenciosa?
Eu reprimi. Eu me moldei. Eu tentei caber.
Acho que, por muito tempo, eu “matei” partes da minha essência para tentar pertencer à família que foi escolhida para me criar.
Minha relação com a mãe foi conflituosa. Havia a dor da sensação de rejeição muito cedo. Havia dinâmicas familiares onde o valor parecia estar concentrado em outras figuras. Havia mulheres que amavam demais — mas que também carregavam histórias ocultas, silêncios, dores não ditas.
E isso me trouxe confusão. Feridas. Equívocos ao longo da vida.
Minha mãe foi, por muito tempo, um mistério para mim. Eu não a sentia dentro de mim.
E existia uma saudade profunda de colo. De origem. De casa.
Hoje eu entendo que não é só sobre elas. É sobre a parte mãe que vive dentro de nós.
Existe uma mãe arquetípica. Uma mãe divina. Uma mãe que nutre, protege, sustenta, acolhe e guia.
O feminino e o masculino existem dentro da criação para que possamos aprender a viver a vida em inteireza. Eu recebi pai e mãe para aprender sobre amor — mesmo que, muitas vezes, esse aprendizado tenha vindo através da dor.
Em muitos momentos, eu precisei ser minha própria mãe. Meu próprio pai. Eu precisei me ensinar aquilo que gerações antes talvez não puderam sentir, nomear ou honrar.
E quando eu encontrei a Mãe Divina…algo se reorganizou dentro de mim.
Honrar a Mãe Divina foi mais do que espiritualidade. Foi quebra de crenças. Foi cura ancestral. Foi permissão para existir sem precisar pedir desculpa por quem eu sou.
Foi entender que posso agradecer minha mãe física pela vida —e, ao mesmo tempo, caminhar guiada pela minha mãe interna.
Talvez essa seja uma das maiores curas que podemos viver: quando paramos de buscar fora o colo que precisa nascer dentro.
Quando entendemos que não precisamos mais nos abandonar para pertencer. Quando sentimos que existe uma força amorosa, firme e sábia nos conduzindo.
E talvez…toda uma ancestralidade esteja observando isso agora.
Vendo que crescemos. Que sobrevivemos. Que aprendemos.
E que agora podemos seguir guiadas pela direção da nossa mãe interna —aquela que não abandona, não rejeita, não se ausenta.
Aquela que vive em nós. E sempre viveu. Existe uma mãe divina em você. Como parte desse caminho de reconexão e cura interna, você pode aprofundar seu processo através das leituras sistêmicas voltadas ao autoconhecimento.
Essas leituras apoiam na compreensão de padrões emocionais, lealdades inconscientes e movimentos internos que influenciam sua vida afetiva, espiritual e material.

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